quinta-feira, 6 de setembro de 2012

APRENDIZAGEM GEOPALEONTOLÓGICA EM MORRO DO CHAPÉU


A viagem para Morro do Chapéu teve como objetivo estudar e conhecer os aspectos geopaleontológicos das formações que se encontram presentes naquela região. Um dos assuntos abordados pela docente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia- UESB, Rita de Cássia A. B. Barreto foi sobre estromatólitos. A palavra estromatólito vem do grego (stroma= camada e lithos = rochas). Os estromatólitos são vestígios de vida mais antigos na Terra, datam cerca de 3,5 milhões de anos. Estromatólitos são fósseis que foram originados por cianobactérias que, ao captarem os carbonatos existentes nos meios onde viviam, e ao metabolizá-los, os depositavam nas suas membranas celulares e, assim, foram-se desenvolvendo em camadas sucessivas, alternando com partículas sedimentares sobre um substrato rígido. Neste processo, segregam-se carbonatos de cálcio que fixam e cimentam finas partículas dispersas na água o que originam as lâminas que se sobrepõem e fazem crescer os montículos que tendem a formar colunas verticalizadas.
É indescritível a sensação de estar diante de um processo que ocorreu há milhões de anos, e a satisfação é maior quando lembramos que os estromatólitos são provas da atividade dos seres que possivelmente foram os responsáveis pela geração de parte do oxigênio da atmosfera primitiva terrestre, permitindo assim o surgimento de diversas formas de vida. Maravilhoso estar lá!  
Fomos contemplados ainda com uma visita à algumas cavernas, dentre as quais fizemos uma coleta na Gruta do Cristal para estudos científicos. Esse tipo de ambiente caracterizado por se originar de uma série de processos geológicos que podem envolver uma combinação de transformações químicastectônicas, biológicas e atmosféricas, ocorrem frequentemente em terrenos sedimentares, e mediante às condições ambientais exclusivas do local, esse ecossistema dispõe de uma fauna específica e especializada para viver em ambientes escuros e sem vegetação nativa. Outros animais, como os morcegos, podem transitar entre seu interior e exterior a fim de buscar proteção, reproduzir-se, se alimentar, entre outros.
A coleta realizada nesse tipo ambiente foi bastante produtiva e para a realização da mesma, utilizamos de instrumentos bastante práticos, tais como pá de jardinagem para a escavação do local, sacos para a coleta do material, objetos de etiquetagem para registrar os dados obtidos, lápis e caderneta para descrever o local, já que foram realizadas em três pontos distintos da gruta. Em seguida o material foi triado e como era de se esperar, nesses locais encontramos ossos e estruturas corporais de animais carvenícolas que podem vir a se tornar fósseis no futuro. Posteriormente o material foi trazido ao laboratório da UESB para que fossem fotografados e identificados a fim de obter dados para o estudo à ser realizado. 
Também visitamos a Gruta dos Brejões que pertence a uma APA (Área de Proteção Ambiental), e pudemos prestigiar espeleotemas grandiosos uma delas conhecida como “bolo de noiva”, a qual é uma estalagmite. Espeleotemas são formações calcárias que se formaram por meio de precipitações químicas secundárias a partir de águas saturadas em carbonatos de cálcio. E estalagmites são espeleotemas cilíndricos ou cônicos que cresce no piso, muitas vezes em direção a uma estalactite. Estalactite é o espeleotema alongado e verticalizado no teto de uma gruta. Mas a beleza e esplendor dessa gruta não se restringe a seus espeleotemas, também pode-se prestigiar uma parte inundada da gruta pelo Rio Jacaré, seus canyons e muito mais.
Através das visitas realizadas pudemos compreender melhor o que foi visto em sala de aula concretizando o conhecimento sobre os fósseis. Outro aspecto muito interessante foi conhecer estruturas tão antigas, algumas datadas de aproximadamente no Mezopaleozóico, e poder perceber a riqueza e beleza que nos é oferecida e está tão perto da gente, mas que infelizmente ainda não tem o seu devido valor.

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